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title: &quot;GLAUCO DINIZ DUARTE &#8211; Grandes&quot;
url: https://glaucodiniz.com.br/2018/11/06/glauco-diniz-duarte-grandes/
author: turbogdd
date: 2018-11-06T08:01:10-03:00
categories: [GLAUCO DINIZ DUARTE]
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# GLAUCO DINIZ DUARTE &#8211; Grandes

[![GLAUCO-DINIZ-DUARTE-Grandes](http://glaucodiniz.com.br/wp-content/uploads/2018/11/GLAUCO-DINIZ-DUARTE-Grandes.jpg)](http://glaucodiniz.com.br)GLAUCO DINIZ DUARTE – Grandes 

# GLAUCO DINIZ DUARTE – Motores dois tempos e quatro tempos: grandes diferenças

 

## Com fabricação em série para motocicletas interrompida no final do século passado – escrito assim até parece que faz muito tempo -, os motores 2T (dois tempos) ainda povoam o imaginário de muita gente. Essa interrupção aconteceu na maioria dos países que adotaram as regras de controle de emissão de gases na atmosfera por veículos equipados com motores a combustão interna e deixou saudosos muitos motociclistas que viveram os tempos áureos das Yamaha RD 350, Suzuki GT 750 entre outras motos menos famosas, mas não menos importantes no cenário nacional e internacional.

 

## Note que usamos a palavra “interrompida” e não “extinta” quando nos referimos à produção desses motores. É porque ainda há produção em muitos lugares, sobretudo para motos de competição. Algumas fábricas seguem pesquisando e desenvolvendo tecnologia para motores 2T, como a austríaca KTM, que ainda utiliza motores 2T em várias de suas motos para enduro e motocross. Outro aspecto importante a ser destacado é que essa interrupção se deve exclusivamente por questões ambientais.

 

## No Brasil havia até uma certa competição entre as marcas que se tornaram famosas pelo tipo de motor que utilizavam em suas motos. Era o caso da Yamaha e Suzuki, que tinham seus principais produtos equipados com esse tipo de motor, enquanto que a Honda só utilizava motores 4T nas suas motos. Ficou até um certo estigma nas marcas que demorou para ser vencido, tal era a associação que os consumidores faziam do tipo de motor com a marca da moto. Não era assim tão raro ouvir motociclistas dizendo que não compravam Yamaha porque usava motores 2T, mesmo olhando para um XT 600, por exemplo.

 

## Eram motores robustos e muito fortes, superando em muito os motores de 4T (quatro tempos) quando comparados em motos de cilindradas equivalentes. Só exemplificando: uma Honda CB 350 tinha como velocidade final algo em torno de 155 km/h, enquanto a Yamaha RD 350 (Viúva Negra) chegava facilmente acima de 200 km/h. Quando comparadas em termos de arrancada, aí era até covardia, a RD pulava muitos metros à frente em segundos. A arrancada da RD 350 era superior até da Honda CB 750, a famosa Sete Galo, só sendo superada quando ambas já estavam acima dos 120 km/h, momento em que a Honda a ultrapassava e chegava antes aos 200 km/h.

 

## Veja neste vídeo o que acontece quando uma moto de 150cc 2T enfrenta motos de 250cc 4T:

 

## As tecnologias 2T e 4T são totalmente diferentes e usam peças também diferentes. As semelhanças se resumem ao formato do motor e a utilização de pistão, vela e virabrequim. Vamos ver abaixo as características particulares de cada um:

 

## Motor Dois Tempos

 

## O Motor de dois tempos é um tipo de motor de combustão interna de mecanismo simples. Ou seja, ocorre um ciclo de admissão, compressão, expansão e exaustão de gases a cada volta do virabrequim. Diferente dos motores de quatro tempos, as etapas de funcionamento não ocorrem de forma bem demarcada, havendo admissão e exaustão de gases simultaneamente.

 

## A cada volta completa do virabrequim ocorre o ciclo completo do percurso do ponto morto inferior (o ponto mais baixo atingido pelo pistão) ao ponto morto superior do pistão (o ponto mais alto atingido pelo pistão).

 

## Chama-se primeiro tempo o processo de admissão e compressão, quando o pistão sobe.

 

## O segundo tempo ocorre quando o pistão desce após a explosão do combustível, liberando os gases queimados para eliminação pelo escapamento.

 

## Na subida o pistão suga a mistura ar-combustível do carburador para o cárter do motor, e logo em seguida, no movimento de descida do pistão, faz com que os gases sejam transferidos do cárter para a câmara de combustão, onde a vela incendeia o combustível forçando o pistão para baixo, gerando força e dando continuidade ao movimento de rotação do virabrequim. Ao mesmo tempo, na descida, o pistão abre a porta de exaustão, que elimina os gases queimados através do escapamento.

 

## Ao subir, o pistão reinicia esse processo contínuo, como pode ser observado na animação acima. No motor dois tempos não há sistema de válvulas pois essa função é exercida pelo próprio pistão do motor.

 

## Nessas motos não era o óleo do motor que lubrificava os anéis dos pistões e sim o óleo específico para motores 2T misturado à gasolina que cumpria essa função. Em algumas motos a mistura do óleo na gasolina era feita no tanque de combustível mas as motos mais modernas tinham dispositivos automáticos (autolub e lubrimatic) que faziam a mistura correta antes da gasolina ser enviada para a câmara de combustão.

 

## A grande desvantagem do motor 2T era a necessidade de manutenções mais frequentes. A cada 10 ou 15 mil km era necessário abrir o cabeçote (coisa simples pela ausência do sistema de válvulas – era apenas uma tampa com um buraco para a vela) para remover a carbonização deixada pelo óleo 2T na cabeça do pistão e nos orifícios de admissão e exaustão, processo que demorava menos de meia hora e podia ser feito em casa até por quem não entendia nada de mecânica.

 

## Motor Quatro Tempos

 

## Já nos motores quatro tempos as etapas são claramente definidas:

 

## Admissão: neste momento o pistão está descendo e a válvula de admissão está aberta, liberando a entrada de combustível na câmara de combustão, aspirado pelo pistão.

 

## Compressão: quanto o pistão torna a subir, ambas as válvulas estão fechadas, ocorrendo a compressão dos gases.

 

## Combustão: na sequência ocorre a explosão do combustível, provocada pela centelha da vela de ignição. A explosão força a descida do pistão, mantendo o movimento rotacional do virabrequim.

 

## Exaustão: na fase final do processo o pistão sobe enquanto a válvula de exaustão se abre, permitindo que os gases sejam eliminados através do escapamento. Com o movimento de descida do pistão o processo é reiniciado de forma contínua – vide animação.

 

## Resumindo, no motor 4T há 50% de perda no movimento do pistão pois nas fases de admissão e exaustão o virabrequim é que empurra a biela e o pistão, sem geração de força, pelo contrário, o pistão é movimentado pela força rotacional do virabrequim, fazendo com que haja apenas uma explosão em cada duas viagens do pistão.

 

## No motor 2T a explosão do combustível ocorre toda vez que o pistão chega à parte superior do seu percurso, evitando assim perdas de potência. Por causa disso a entrega de potência é estúpida e instantânea, sem limitação de giros do motor.

 

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